Dietfrid Kranich Viveiros
 ALOÉS, OS LÍRIOS DO DESERTO
Viveros Quinta da Fortuna
Q.da Fortuna
Dietfrid Kranich

Na época fria, ou seja, mais ou menos a partir de Dezembro, quando múltiplas ladeiras inteiras estão cobertas de flores vermelhas, seja na Quinta do Lago, seja noutros sítios do Algarve, estamos a admirar o " aloé do Natal ". Natal é o nome de um país na África do Sul, supostamente descoberto por marinheiros portugueses por volta do dia do nascimento de Jesus; podemos, assim, falar ainda do " aloé de Natal ".
Quanto ao termo botânico correcto, chamam-na " aloé arborescens " visto que chega a uma altura de 1.5 m, apresentando uma ramagem densa. Considerando que os marinheiros portugueses costumavam levar para casa todas as plantas que descobriam ao longo das suas viagens e aos quais atribuíam alguma utilidade é desde há séculos que o aloé de Natal se encontra no Algarve. Cresce em todos os solos, em terreno argiloso e arenoso bem que sobre cascalho, não precisando nem de irrigação nem de adubação. Tal como todas as outras variedades de aloés, o aloé do Natal não gosta de acumulações de água em volta dos raízes, aconselhando-se, por isso, plantá-lo em ladeiras. O aloé de Natal aguenta bem o sol mas cresce também na penumbra. É exactamente junto às antigas casas lindas no Algarve que encontramos muitas vezes o aloé de Natal entre uma mélia azedarach, um rosmaninho, uma videira, um gerânio e uma nêspera de proveniência japonesa (Eriobotrya japónica). Nenhuma das espécies mencionadas é muito exigente quanto à irrigação e ao solo e todos são úteis e ao mesmo tempo saudáveis. Desde a época em que o aloé de Natal chegou em Portugal, os Algarvios utilizavam-no no tratamento de feridas e para aliviar as dores provocadas pelas queimaduras do sol.
Todos os aloés dos cerca de 300 variedades existentes podem ser utilizado em tratamentos exteriores, especialmente em feridas, partindo-se a folha do aloé no meio e a todo o comprimento e espalhando-se o conteúdo incolor gelatinoso sobre a ferida. É refrescante, faz bem mas nunca se deve sentir a pele arder. Não convêm confundir a folha do aloé com uma folha da agave: o líquido dos últimos arde como fogo na pele e o teor em saponina torna-o ligeiramente tóxico.
Não se aconselha utilizar o aloé ferox bem que o aloé variegata para fins medicinais - por via oral - visto que contêm demasiadas aloínas que podem provocar convulsões estomacais, diarreias e enteremorragias.

Para enfeitar o jardim no Algarve utilizam-se frequentemente também:
- o aloé ciliaris de aparência filigrana que aprecia um bocadinho de sombra,
trepa árvores até aos 3 metros de altura e apresenta lindas flores amarelas.
- os aloés excelsa e ferox que atingem 1.5 de altura e apresentam botões florais nas cores vermelho, laranja e amarelo podem chegar até 0.5 m de altura (ver foto).
- o pequeno aloé saponária que não ultrapassará os 0.3 m e que apresenta flores divididas de cor vermelho-laranja que chegam a mais do duplo dessa altura. Propaga-se rapidamente através de mergulhões da planta-mãe.

Os aloés que foram criados a partir de sementes costumam cruzar-se com outros espécies de aloés de modo que o aloé vero e verdadeiro é propagado somente mediante mergulhões. Um tipo de aloés facilmente confundível com o aloé vera que foi provavelmente criado a partir de sementes está a venda nos viveiros locais e distingue-se pelas folhas que apresentam pontinhos claros, pelo tronco rasteiro, pelas flores de cor vermelho-laranja e pelo número enorme de mergulhões que crescem rapidamente. Convêm utilizar o referido tipo de variedade apenas no tratamento externo de feridas. A planta parece, porém, não ser tóxica visto que um meu conhecido está a consumi-la assim tendo curado a azia da qual sofria.

Foi já no antigo Egipto que o aloé vera, ou seja, o " aloé verdadeiro " era utilizado sob o nome de " sangue dos deuses ", tanto para fins medicinais como em preparados cosméticos. Com os comerciantes árabes chegou na Índia, China e Ásia de Sudeste e com os espanhóis e portugueses na América. Em Barbados e noutras zonas da América Central é cultivada e comercializada desde 1650. Deram-lhe o nome científico de " aloé barbadensis " mas a medicina conhece-o sob o nome de aloé vera. As suas folhas equipadas de espinhos laterais ergam-se até aos 60 cm de comprimento, apresentando uma espessura de 3 cm e uma largura de 8 cm. São dum verde intenso e uniforme. O aloé vera distingue se das outras variedades e criações por não ter tronco. Cresce lentamente criando apenas 5 a 10 mergulhões por ano. No jardim, é muito decorativo, especialmente quando apresenta as suas flores amarelas. Na penumbra as folhas mantêm a sua viva cor verde, em pleno sol é provável que se tornem castanho. O aloé vera cresce sobre terreno arenoso, argiloso ou húmus, e preferivelmente entre árvores e arbustos. Ao fim de cerca de três anos podemos cortar uma das folhas inferiores e guardá-lo no frigorífico por cerca de 2 a 3 semanas. Se for necessário, cortamos um bocado, partilhamo-lo ao meio para utilizar o coração incolor e pegajoso para fins medicinais. Quanto ao uso externo, o líquido espalha-se sobre as feridas, quanto ao uso interno, come-se cerca de uma colher do chá da sua carne. O sabor é quase neutro, e é apenas junto à casca que se acumulam substâncias amargas não recomendáveis. O aloé vera ajuda na cicatrização de feridas, em queimaduras - também nas queimaduras do
sol -, em lesões nos olhos e em micoses. Nos livros cita-se um grande número de aplicações do aloé, mas foram apenas os casos mencionados nos quais eu próprio tive oportunidade de colher experiências. Vivendo no Algarve temos a vantagem de poder aplicar aloé fresco sem termos de recorrer a produtos acabados extremamente diluídos e preparados com conservantes.
O aloé vera (aloé barbadensis) é uma das plantas de cultura medicinalmente mais valiosas que não devia faltar nenhum jardim. Pode ser cultivada sem mais em vasos de tamanho maior, no Algarve ao ar livre durante o ano inteiro, na Europa Central dentro da casa no inverno visto que não aguenta o gelo.

Boa sorte, ou "Happy Growing" deseja o Dietfrid Kranich.  

Contacto: Dietfrid Kranich, Baumschule in Moncarapacho, Tel: 289792190


Aloé Saponaria

Aloé Excelsa

Aloé Vera

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